Eu sempre penso nas palavras da minha mãe sobre o meu
primeiro dia de aula quando era pequena. Ela conta que não chorei,
apenas acenei pra ela e fui em frente cheia de coragem e alegria por estar lá.
Eu fui feliz até descobrir que por não ser igual às outras crianças, eu era
tratada diferente. Passei a chorar todo dia para ir pra escola, até atingir uma
idade em que chorar seria vergonhoso. Observava pela janela da sala de aula do
jardim de infância, esse menino que era absolutamente enorme, tinha medo dele e
o considerava sortudo porque ouvia as outras crianças dizendo que ele era
extremamente forte e batia em todo mundo.
A minha puberdade foi um inferno em todos os sentidos que se possa imaginar, mas os piores momentos foram na escola de freiras onde eu estudava. Sendo uma das únicas meninas negras da escola inteira, eu me via sofrendo bullying diariamente, sendo xingada, diminuída, comparada com as outras meninas negras para decidirem qual de nós era mais aceitável. As meninas me consideravam como alguém inferior, uma coitada, que elas acolhiam por pura bondade e os meninos sequer olhavam para mim, salvo quando estavam me dando algum apelido pejorativo ou me humilhando. Naquela época eu lembro de me esconder atrás dos meus brinquedos para não ter que lidar com o sentimento de inadequação, sentia que existia alguém para todo mundo, exceto para mim e achava que viveria uma vida de perseguição e humilhação.
Uma tarde, em algum tempo vago, permaneci na sala de aula enquanto a maior
parte da turma se divertia no pátio. Fiquei jogando com aquele menino que
outrora tinha achado temível e sortudo, ele era meu colega de classe e era
excluído pelo resto da turma também, mas ninguém faltava com o respeito porque
ele continuava muito alto e forte. Em algum momento do jogo, ele parou, me
olhou nos olhos e falou: “Um dia eu me casarei com você." Surpresa, eu não sabia como agir. Só sorri e continuamos
jogando.
Hoje, casada, me lembro sempre dele. Não porque acho que deveríamos estar juntos, mas por ter sido ele a primeira pessoa a me fazer acreditar que ser amada seria possível.
A minha puberdade foi um inferno em todos os sentidos que se possa imaginar, mas os piores momentos foram na escola de freiras onde eu estudava. Sendo uma das únicas meninas negras da escola inteira, eu me via sofrendo bullying diariamente, sendo xingada, diminuída, comparada com as outras meninas negras para decidirem qual de nós era mais aceitável. As meninas me consideravam como alguém inferior, uma coitada, que elas acolhiam por pura bondade e os meninos sequer olhavam para mim, salvo quando estavam me dando algum apelido pejorativo ou me humilhando. Naquela época eu lembro de me esconder atrás dos meus brinquedos para não ter que lidar com o sentimento de inadequação, sentia que existia alguém para todo mundo, exceto para mim e achava que viveria uma vida de perseguição e humilhação.

Hoje, casada, me lembro sempre dele. Não porque acho que deveríamos estar juntos, mas por ter sido ele a primeira pessoa a me fazer acreditar que ser amada seria possível.