
Porque terapia sem os tarja preta não vai adiantar...
Fim de aula e eu estou parada junto à porta esperando uma amiga. De repente uma de minhas so-called colegas de classe se aproxima e pergunta:
- Você viu a Jaqueline?
- Er... Quem é Jaqueline? - eu pergunto.
- Jaqueline, uma que senta ali, escurinha também... - e aponta para meu braço para evidenciar a semelhança. Eu ignoro a sutileza do discurso e digo que não sei quem é. Não se dando por vencida, ela insiste repetindo a descrição, quase indignada - como posso não saber da tal Jaqueline? Afinal, somos "escurinhas". Finalmente, eu solto a pessoa que me habita e respondo:
- Espera, vou ligar para nossa central de escurinhos e saber se a escurinha número 7856-j já saiu de lá.
Eu, ex-condenadora das comédias românticas, ex-destestadora do clichê do romance, ex-excomungadora dos buquês de rosa, ex-enojada por apelidinhos de casal, ex-contestadora do casamento, ex-pessoa com ojeriza a futebol, agora presente-indivídua-que-anda-nas-nuvens-escolhendo-com-ele-o-anel-de-noivado.
Já para mim, esse show tem todo um significado que transcende modinhas, maneirismos, fads e afins. Foi por causa do mesmo Radiohead que assumiu o posto de banda preferida desde a aborrecência, que conheci meu namorado há quase dois anos atrás, ou talvez tenha sido o que o encorajou, em sua timidez, a falar comigo. Eu escrevi toda essa lengalenga só para afirmar que chorarei hoje como todas aquelas menininhas fanáticas - que cena!
Mas eu tenho motivos, não tenho?
