
Durmo e acordo pensando nessa belezinha. Quando será que colocarei minhas patinhas amadoras em uma?

Leio para ele os meus livros preferidos e ele lê os dele para mim, para remediar a falta de tempo. Estamos lendo "A Metamorfose" do Kafka de novo - um dos meus. Os dias tem passado numa velocidade inacreditável (por que dias felizes são tão rápidos?). Estou aprendendo a me alimentar direito, não sou mais vegetariana aos poucos (é, triste...) e voltei para a academia - ele supervisiona tudo: "Academia hoje que horas, hein?" "Comeu carne já?" "Não come essa hora" "hora de dormir" e coisas assim. Eu corrijo deveres e ele estuda piano, ele cozinha e eu fotografo coisas, ele lê sobre o time dele e eu limpo, fazemos planos, pergunto sobre o nome que devo dar as fotos, ele sempre vê quando as fotos estão embaçadas, eu sempre digo que era a intenção, ele acha graça, eu adoro o riso dele, rimos um do outro, ele fecha aqueles lindos olhos e eu morro de saudade, mas daí meu corpo não aguenta e eu durmo também. O tempo em que ele está no trabalho sempre parece eterno. Chega em casa às nove, eu começo a ser feliz às oito (sim, eu plageei a raposa do Saint-Exupéry) e à meia-noite, não há ninguém mais radiante que eu no mundo. Ensino português para ele, que por sua vez, me ensina russo... frases necessárias, úteis e tento ensinar/aprender palavrões - ele diz que já sei o suficiente no quesito e que não há muita valia em aprender mais. Assistimos futebol na quarta-feira e absolutamente pasma, notei que estava me divertindo. O time dele ganhou, ele acha que eu dou sorte, eu só acho que tive muita sorte em encontrá-lo, ou ainda, ser encontrada por ele. Tenho acessos de risos por motivos bobos e ele acha fofo e engraçado, está muito bem porque acho perfeito tudo o que ele faz também. E assim os dias voam, nem sentimos o ano mudar. A vida anda assim e eu nem tenho tempo de expressar. Este post vai render um pito - "Por que não estava dormindo?", ele vai perguntar e me falar sobre a importância do sono e afins. Eu vou teimar até adormecer ouvindo a voz dele no fim do dia. Ele sempre diz que a vida está perfeita, eu concordo no escuro e acrescento que não sabia que podia ser assim. Ele sorri toda vez e arremata:"Mas assim que é."
Agora que tenho quase 30 anos, virei esse personagem caricato desses filmes de comédia barata. Parece que quanto mais velha eu fico, mais infantil eu me torno. Os hormônios então piraram de vez, não é raro eu me pegar agindo feito louca. Rindo sozinha sem motivo ou chorando sem parar (com motivo, mas...). Ando mesmo curiosa para saber como é possível uma pessoa chorar 3 dias sem parar - Tá, eu parei pra dormir, mas no meu sonho eu também estava chorando! Mas que bela merda essa de amadurecer! Quando eu era adolescente eu me achava toda almighty, quase uma heroína, a protagonista de um filme interessantíssimo. O tempo passa e eu começo a notar que não sou mais aquela coisinha engraçadinha, estou mais para uma coisa hilária mesmo e aquele tão querido filme que eu achava estar estrelando é um puta filme B, que nem o diretor leva a sério.
Porque eu sinto que a transição está muito próxima, quase tão tangível quanto o medo de fracassar - oras, é claro que este existe, eu sou apenas humana. Porque eu tenho quase certeza que é por agora. Sei porque quase toda mudança dói, excita, atrai, revira o estômago e invade. Chega devastando com tudo que você achava confiável, como um furacão. E no fim, normalmente, você nota que foi o que poderia acontecer de melhor.
Okay. Fica sacramentado aqui o dia em que eu assumi que sou uma romântica incurável, do tipo que acha que sofrer de amor faz parte do sentir-se viva e acredita em toda aquela bobagem que a televisão ensina sobre amor que dura e afins.

Eu queria que você estivesse aqui para te contar como sou infantil, como me entrego fácil ao primeiro geniozinho que aparece, como ando apaixonada por alguém ultimamente, como choro às vezes sem motivo algum, como pequenas coisas me fazem feliz algumas outras vezes e como o tempo cura quase tudo.
Eu estou por aqui sim, mas é que só penso em campos dourados ultimamente. Se você me conhece, sabe bem o que acho do ato de escrever quando se está num estado semelhante ao meu...