agosto 30, 2007

O meu trato com a tristeza sem motivo e a auto-piedade está quebrado. Começando agora.


Vou crescer pra variar um pouco.

Current music: Smile like you mean it - The Killers

agosto 29, 2007

- E o sobrenome?

- Quer saber o que é meu sobrenome?

- Sim.

- Uma ironia dos céus. É isso.


***

Rabbit in your headlights - UNKLE feat. Thom Yorke

Uma música linda e um vídeo que traduz um estado de espírito.

agosto 21, 2007

Insanidade


Quase balzaca, eu descubro que já estou ficando esclerosada. Sim, não sei outra explicação para ter 4 calcinhas iguais. Não mesmo.

[Baby did you forget to take your meds?]

agosto 19, 2007

Medo.

Medo de acordar simplesmente porque - against all odds - ele me faz feliz. E eu não paro de sorrir.


[I have a secret smile only for you]

agosto 17, 2007

Mondo Cane para solteiras.

Levar Fritz - meu cachorro - para passear é a melhor coisa pro ego EVER.


Ainda ontem, quando levando meu amigo peludo para dar uma volta na rua, um cara se aproximou, mexeu com o cachorrinho, me encarou e disse: "Você é a mais bonita do Rio de Janeiro." Cantada das piores, sim. Daquelas que respondi com uma gargalhada de surpresa, mas ainda assim, houve algo de engraçadinho quando me virei para ir embora e ele ficou esbravejando para eu não ir, parado no meio da rua.

Você também amaria meu cachorro...

agosto 15, 2007

... Então eu não durmo.

A escuridão se fecha sobre mim e eu quase sinto você ali. Minhas mãos deslizam pra baixo do cobertor e a próxima coisa que sei é que é manhã de novo.

Que desperdício.


[English Version no Ultravellocet]

agosto 14, 2007

E agora que todo dia acho um novo blog chamado CERA QUENTE na web? Ontem achei um com os mesmos títulos na navegação. Interessante, no mínimo. Quantas de mim será que andam por aí? Será que todas elas não sabem pra aonde estão indo? Será que cada uma delas gostaria de hibernar por uns meses? E se eu mudar o nome daqui? Será que mudam também?

Um beijo a todas minhas clones. É uma honra.

agosto 09, 2007

Current mood: rindo à toa

O fato é que só escrevo bem se eu estiver infeliz.
Então dá pra ficar alegre por mim pelo fato de eu não escrever nada que preste ultimamente, certo?

agosto 04, 2007

Uma das vantagens de se estar encalhada (nada de eufemismos) é não precisar aturar o futebol de sábado à tarde.

[I'm a creep, I'm a weirdo... yada yada yada.]

agosto 03, 2007

agosto 02, 2007

Travessia

Passando de carro pelo local do acidente, viu cada pedaço retorcido de metal e os restos de vidro quebrado. Pequenos quadrados tal qual diamantes brilhando contra o sol. Os dois corpos estendidos já cobertos com plástico preto. A mão de um deles, descoberta, poderia ser esmagada por um carro a qualquer momento. Olhou bem aquela mão e a reconheceu.

A marca de nascença nas costas da mão parecendo o mapa da Itália. Mesma posição, mesma mão. Exatamente aquela mão que tinha beijado tantas vezes, chupado os dedos, segurado ao andar pelas ruas. A mesma maldita mão que acariciou seu cabelo, amparou suas quedas, pousou em seu pescoço, tocou seus lábios, massageou seus pés, brincou com seu umbigo, segurou seus seios, lhe puxou pela cintura, serpenteou entre suas coxas, adentrou, criou as mais intensas sensações em seu corpo e um dia lhe acenou um adeus indiferente.

Com olhos marejados, ela acenou de volta timidamente para o corpo estendido. Posicionou as únicas mãos que tinha naquele momento no volante e foi em frente.

Finalmente.

English Version

julho 31, 2007

Ainda que seja cedo para um bloqueio, aqui estou eu: mais bloqueada do que nunca. Não por falta de idéias - elas fervilham em minha cabeça. Todavia, é por mera incompetência que não consigo forçar sua saída. Não vou culpar a gripe que se agarrou ao meu corpo e ficou e muito menos a impossibilidade de viajar nessas férias. É a pura preguiça e a maldita falta de organização interna. Ou talvez não seja nada disso. Talvez seja eu simplesmente não escrevendo torto por linhas certas. Ou apenas, de forma concisa e seca, a necessidade de silenciar. A mesma que digo ter e ironicamente, nunca me permito. Meu hobby é não engolir palavras, mas deixá-las fluir a esmo, sem sentido, intensas apenas pelo prazer de vê-las pairando no ar ou pendendo no papel e na tela luminosa. Sou, como qualquer um que escreve, uma manipuladora de verdades. E ainda mais, de mentiras - as mais reais possíveis.

julho 27, 2007

Eu que me apaixono todo dia, seja por pessoas, músicas, filmes, livros, coisas, animais ou clichês, me pego surpreendida ao perceber que ultimamente me apaixono por uma mesma criatura a cada dia e de maneiras diferentes.

Primeira vez.

current music: Mars - Micatone

julho 23, 2007

The new adventures of old Leela

Tenho essa impressão ultimamente de que vivo em um sitcom onde, obviamente, sou a protagonista. É uma daquelas séries na qual a personagem principal sempre se dá mal, assim para ter graça. A mesma tem um quê de loser, mas é boa gente e sua vida afetiva é de um fracasso caricato, claro. Tragicômica. Não fosse assim, não haveria programa, certo?

Desta maneira, se esse blog fosse religiosamente atualizado poderia virar um bom roteiro de comédia insossa. Uma nada sutil série de comédia sobre uma fulana ácida de doer e suas tentativas em todos os campos de sua so-called vida.

E daí vem a sacada de mestre de quem anda dirigindo essa porqueira: se a personagem conseguir deixar tudo certinho na vida, o programa perde o sentido. A graça toda - para outrem, certamente - reside é nas tentativas mal-sucedidas recorrentes.

É com base nesta nada lógica e muito menos inteligente reflexão que decidi fechar a conta do presente blog quando num dia - longínquo, eu me encontrar pelo menos com a vida afetiva encaminhada. Não é uma promessa feita a alguma entidade das trevas, é o medo de contaminar a minha fama de ácida-mal-humorada com frases feitas cafonas e fotos de algum cretino que em alguma instância há de me sacanear feio.

Pois é, eu andava disfarçando, mas continuo a mesma.
Imagem: Inmagine
P.S.: Não, o blog não vai acabar, não.

julho 17, 2007

Sobre o mau humor.

Eu tenho dias de bom humor. Sim, dias. Alguns.
Porque dias não são nada quando comparados a anos de mau humor.
E só para esclarecer bem as coisas: Mal amada sim.
Muito.
Mais alguma pergunta?

julho 16, 2007

Guerra.

É sempre uma relação de opostos
A sensação dos dedos tocando o teclado frio descendo pela espinha e serpenteando âmago adentro para combater o que há de tépido e escala vísceras acima na velocidade da luz.
E ele, alheio à guerra que ocorre desse lado, lê as notícias do Iraque para mim.

julho 15, 2007

Da insônia e outros demônios

O dia amanhecera trôpego e soluçando, a luz preguiçosa esgueirou-se para tocá-la no joelho. Ao perceber, fez um gesto de impaciência e virou-se, da mesma forma que fizera durante todo o tempo em que estivera deitada procurando o sono. Mal sabia que ao descer do táxi na volta pra casa, naquela madrugada, tinha  deixado seu sono cair entre o meio fio e o asfalto. Sonolento, como é de sua natureza, o sono rolou devagar e se perdeu dentro do bueiro. E ela, sob a sombra da ignorância, se preparou para se entregar a quem nem estava presente.
Entregue ficou aos contornos do lençol que lhe abraçavam. E a música que escalava seu pavilhão auricular sorrateiramente. Levou horas para descobrir o porquê de não conseguir pegar no sono e sozinha com seus pensamentos, realizou que tinha medo. Terror de estar sozinha consigo mesma.
Sentou-se na cama, alcançou o telefone e discou com dedos errantes. Ninguém atendeu. Cedo demais para pedir socorro. Recorreu à internet e ninguém amigável respondeu. Começava a suar frio, quando ele, o sono, chegou ainda molhado e ferido pela queda bueiro abaixo até o esgoto. Cheirava mal e se arrastava de tão enfraquecido.
Ela não se importou, amparou e o pegou nos braços levando-o para debaixo das cobertas. Beijou e acariciou seu sono e toda a realidade em volta se dissolveu.
A cidade acordava.

julho 13, 2007

A volta.

O blog segue existindo. Insistência genuína em manter-se num local ou tempo que não volta. Palavras que deviam se entrelaçar, mas seguem escorregando umas das outras. O que era tão fácil antes, agora é tão aflitivo devido à falta da prática. Ainda assim, lá de dentro, essa vontade de tocar os olhos e mentes de outrem. De criar com papel e caneta a realidade paralela e fazer cada um acreditar que a mentira que desenho em palavras é verdadeira.
E a cada vez que os dedos tocam o teclado, a pseudo-certeza de que agora em diante será para sempre. E será. Até o dia em que terminar.

Eu voltei.


Photo by my sweet, cute and piękny Kamil.